quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Mortalidade no Século XVII



Uma má colheita, passa ainda. Duas, os preços ficam perturbados, a fome instala-se, e nunca sozinha: mais cedo ou mais tarde abre a porta às epidemias que, é claro, têm também os seus próprios ritmos. A peste, "hidra de várias cabeças", "estranho camaleão", de formas tão diversas que os contemporâneos a confundem com outras doenças, é a grande, a terrível personagem. Ornamento das danças macabras, é "uma permanência, uma estrutura na vida dos homens". (...) Outra dificuldade: as doenças andam em cortejos, "só têm de comum a infecção, tais como a difteria, a cólera, a febre tifóide, (...) as bexigas, a febre púrpura, (...) a escarlatina, as gripes (...).
Perantes estes ataques massivos, pensemos na não resistência de populações mal alimentadas, mal protegidas. Confesso que o provérbio toscano, "o melhor remédio contra a malária é uma panela bem cheia", (...) me deixava meio convencido.

BRAUDEL, Fernand, Civilização Material e Capitalismo, Lisboa-Rio de Janeiro, Cosmos, 1970, pp. 63 e 64

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