quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cruzadas

O termo Cruzada refere-se geralmente às expedições de carácter "militar" organizadas pela Igreja entre os séculos XI a XIII, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) dos infiéis. O termo Cruzada surge por os seus participantes utilizarem a cruz nas suas roupas. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direcção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa - a guerra de contra os infiéis. Participar numa cruzada era uma forma de penitencia, um instrumento de purificação uma forma dos cavaleiros, unidos por solidariedades de cavalaria, se redimirem dos seus pecados.
O ideal de cruzada surge com o Papa Urbano II, em 1095, no Concílio de Clermont que defende: " Deixai os que outrora estavam acostumados a baterem – se impiedosamente contra os fiéis, em guerras particulares, lutarem contra os infiéis. Deixai os que até aqui foram ladrões tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes lutarem contra os bárbaros. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixo soldo, receberem a recompensa eterna. Uma vez que a terra onde vós habitais, é demasiadamente pequena para a vossa grande população, tomai o caminho do Santo Sepulcro e arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos". Esta ideia é entusiasticamente recebida logo havendo quem aceite o desafio e parta para o Oriente. Assim começavavam as cruzadas.
Vão ser 8 as cruzadas:
Primeira Cruzada (1096-1099),
Segunda Cruzada (1147-1149),
Terceira Cruzada (1189-1192),
Quarta Cruzada (1202-1204),
Quinta Cruzada (1217-1221),
Sexta Cruzada (1228-1229),
Septima Cruzada (1248-1250),
Oitava Cruzada (1270)
Nona Cruzada (1271 – 1272).
Para além das as motivações religiosas das Cruzadas, observamos que esse movimento de ordem religiosa e militar também tem interesses de carácter económico numa tentativa de superação da crise que se instalara na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média . Alguns reis participaram do movimento, pretendendo o aumento de poder, numa época de crise feudal, como acontece com a 3° cruzada, também conhecida como cruzada dos reis. Também os mercadores se envolvem no processo vislumbrando o aumento dos seus lucros como acontece com a 4° Cruzada (1202- 04) responsável pela "reabertura" do Mar Mediterrâneo. Esta cruzada foi financiada pelos mercadores de Veneza com o objectivo de virem a dominar o comércio com Constantinopla.
Também a "Guerra de Reconquista", na Península Ibérica, constituiu o movimento das cruzadas do Ocidente, considerando que a luta contra os mouros tinha o mesmo objectivo - lutar contra os inimigos da fé, alargando os territórios cristãos.
As cruzadas do Ocidente foram responsáveis pela formação das monarquias Peninsulares nomeadamente Portugal.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

2010 - CENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA













" A Primeira República Portuguesa (1910-26) constituiu a primeira tentativa persistente de estabelecer e manter uma democracia parlamentar. Apesar das intenções e dos ideais generosos e do entusiasmo inicial, os republicanos foram incapazes de criar um sistema estável e plenamente progressista. A República foi prejudicada pela frequente violência pública, pela instabilidade política, pela falta de continuidade administrativa e pela impotência governamental. Com um total de quarenta e cinco governos, oito eleições gerais e oito presidentes em quinze anos e oito meses, a República Portuguesa foi o regime parlamentar mais instável da Europa ocidental. Na «arena da República», as paixões pessoais e ideológicas entrechocaram-se, tendo desencadeado forças que prepararam o terreno para a intervenção dos militares na política e para a instauração da ditadura. Esta República atribulada foi o prólogo do «Estado Novo», uma ditadura duradoura que, no momento do seu colapso, em 1974, representava o regime autoritário de mais longa persistência na Europa ocidental."
Douglas L. Wheeler

CorporaçõesII


"Quatro anos depois, aos vinte e dois, Grau apresentou-se ao exame público que se realizava na presença de quatro Cônsules da confraria. Realizou as suas primeiras obras: um jarro, dois pratos e uma escudela, sob o olhar atento daqueles homens, que lhe outorgaram a categoria de mestre, o que lhe permitia abrir a sua própria oficina em Barcelona e, claro, usar o selo distintivo dos mestres, que devia ser estampado, prevenindo possíveis reclamações, em todas as peças de cerâmica que saíssem da sua oficina. Grau, em honra do seu apelido, escolheu o desenho de uma montanha.
Grau e Giamona, que estava grávida, instalaram-se numa pequena casa de uma só piso no bairro dos oleiros, que por disposição real estava no extremo ocidental de Barcelona, nas terras situadas entre a muralha construída pelo rei Jaime I e o antigo bastião fortificado da cidade. Para adquirirem a casa, recorreram ao dote de Giamona (…)".

Ildefonso Falcones, A Catedral do Mar, p.46

Aconselhamos a leitura do livro de Ildefonso Falcones, A Catedral do Mar. A história decorre no sec. XIV em Barcelona, no período em que esta cidade sofre de grande prosperidade. É o período em que no bairro dos pescadores os habitantes decidem construir, com o seu dinheiro e esforço, uma grande catedral em honra de “Santa Maria de la Mar”. Paralelamente à sua construção desenrolam-se as atribulações de Arnau, um servo da gleba que foge aos abusos do seu senhor feudal se refugia em Barcelona, como homem livre. Este é um maravilhoso relato do período medieval com todas as suas glórias e misérias, atravessado por várias histórias de amor. Este livro está disponível na Biblioteca escolar.

As Corporações I


A confraria, que era de origem religiosa e existia mais ou menos por toda parte, era um centro de ajuda mútua.Figuravam em primeiro plano as pensões concedidas aos mestres idosos ou já enfermos e os socorros aos doentes, durante todo o tempo da doença e da convalescença.Era um sistema de seguros em que cada caso podia ser conhecido e examinado em particular, o que permitia dar o remédio apropriado a cada situação e ainda evitar os abusos.Se o filho de um mestre é pobre e quer aprender, os homens de bem devem ensinar - lhe por 5 soldos (taxa corporativa) e por suas esmolas — diz o estatuto dos fabricantes de escudos.A corporação ajudava ainda no caso de seus membros precisarem de viajar ou por ocasião do desemprego.Thomas Deloney conta-nos este episódio interessante: Tom Dsum, sapateiro inglês em viagem, encontra-se com um jovem senhor arruinado, e dispõe-se a acompanhá-lo a Londres:— Sou eu quem paga. Na próxima cidade vamos divertir - nos bastante.— Como?! Pensava que você não tivesse mais que um soldo no bolso.— Se você fosse sapateiro como eu, poderia viajar de um lado para outro da Inglaterra apenas com um penny (= tostão) no bolso. Em cada cidade acharia boa comida, boa cama e boa bebida, sem mesmo gastar seu penny. Isto porque nenhum sapateiro deixará faltar alguma coisa a um dos seus. Pelo nosso regulamento, se algum companheiro chegar a uma cidade sem dinheiro e sem pão, basta ele se dar a conhecer, não precisa de se ocupar com outra coisa. Os outros companheiros da cidade não somente o receberão bem, como lhe fornecerão gratuitamente víveres e acomodações. Se quiser trabalhar a sua corporação se encarregará de lhe arranjar um patrão, e ele não terá de o procurar.Esta curta passagem não necessita comentários. Assim compreendidas, as corporações eram um centro muito vivo de ajuda mútua, honrando o seu lema: “Todos por um, um por todos”.

Régine Pernoud, Lumière du Moyen Âge, Éd. Bernard Grasset, Paris, 1944


História



“ A história é o estudo dos homens, das sociedades humanas no tempo (…) são os homens que a história quer apreender”

Marck Block